segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

É CEGUEIRA OU ESPERTEZA?


É cegueira ou esperteza?
Enéias Teles Borges


Como sempre deixei claro eu fui criado dentro de um contexto protestante, tendo, inclusive, me bacharelado em teologia. Repito isso para historiar um episódio que gerou em mim uma pergunta: É cegueira (pela ingenuidade) ou é esperteza (pela malandragem)?

Um conhecido meu, também adventista, fez faculdade no estado de São Paulo e logo deparou com um problema. Aulas no sábado. Como sabem os adventistas do Sétimo Dia (ASD) têm o sábado como dia especial e que, portanto, deve ser mantido “santo”.

Ocorre que determinada matéria desse amigo seria ministrada exclusivamente no sábado pela manhã. Um semestre inteiro tendo aquela disciplina! O que fazer? Ele orou, pediu a bênção divina e foi conversar com o professor. Explicou sua situação e o professor permitiu: (a) que ele ficasse sem assistir às aulas e (b) sem necessidade de fazer provas. Em resumo: ele foi aprovado numa matéria sem ter assistido às aulas e sem ter feito as provas de avaliação.

Costuma contar isso a quem quer ouvir como se fosse uma bênção divina!

As perguntas que me ocorreram à época:

(1) O professor tem essa autoridade? É possível conceder presença a um aluno ausente? É possível aprovar um aluno, em determinada disciplina sem que ele tenha assistido às aulas e se submetido à avaliação?

(2) O professor fez isso com aprovação da escola? Se o fez a escola teria essa autoridade?

(3) Caso a escola, tendo sabido do assunto, pediu autorização ao Ministério da Educação e Cultura? Se o fez o MEC teria concordado?

Minha maneira de pensar é bem simples: para “guardar” o sábado esse meu amigo conseguiu induzir um professor a errar e uma faculdade a aprovar um aluno que não merece a graduação que tem.

Não teria sido melhor assistir às aulas no sábado e “errar sozinho?” Quem sabe, como exercício de fé, ele não deveria ter abandonado a disciplina, ainda que a conclusão do curso fosse atrasada?

Por essas e outras pergunto a muitos que transformam a mentira e o engodo em “bênção divina”: É cegueira ou é esperteza?

Fonte: [Convictos ou Alienados?].
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

PROFECIA: O ANO DE 2012




Em diversas culturas ancestrais o ano de 2012 é marcado nos calendários como o “apocalipse”, o “fim do mundo”, “o juízo final”, “o fim de um ciclo” e, nos mais otimistas, “o ano em que esta era terminará e outra, melhor, será iniciada”.

Maias, Egípcios, Celtas, Hopis, Nostradamus e diversos profetas, Chineses e Budistas, WebBots, Cientistas e Religiosos das mais diferentes crenças afirmam que algo extraordinário ocorrerá em nosso planeta em 2012 (ou antes).

Nunca antes uma data foi tão importante para muitas culturas, para muitas religiões, cientistas e governos.

Mas o que acontecerá na fatídica data de 21 de dezembro de 2012?

Para muitos será o dia da aniquilação da raça humana devido a uma inversão dos pólos da Terra. Como isso seria possível? Devido a distúrbios nos campos magnéticos do Sol que, gerando colossais tormentas solares, afetarão a polaridade de todo o nosso planeta. Resultado: o campo magnético terrestre se inverterá imediatamente, com conseqüências catastróficas para a humanidade.

Violentos terremotos demolirão todos os edifícios, alimentando tsunamis colossais e atividade vulcânica intensa.

Na verdade, a crosta terrestre deslizará, arremessando continentes a milhares de quilômetros de sua localização atual.

Outros falam que grandes cataclismos serão gerados devido a passagem de um "astro/cometa/planeta" perto da Terra.

Seria o “Abominável da Desolação” de Jesus, a “Abominação Desoladora” do profeta Daniel, a grande estrela ardente com um facho, chamada "Absinto” do Apocalipse de João, a “Grande Estrela“, “o Grande rei do Terror“, “O Monstro” ou “O Novo Corpo Celeste” de Nostradamus, o “Astro Intruso” ou “Planeta Higienizador” de Ramatis, o “Planeta Chupão” citado por Chico Xavier, ou o “Planeta X” procurado pelos astrônomos, ou o “12º planeta” de Zecharia Sitchin, ou o “Nibiru/ Marduk” dos Sumérios, ou ainda o “Hercólubus” dos estudiosos da Gnose.

Para os cientistas da NASA a data desse acontecimento será marcada pelas piores tormentas solares da história.

Para os governos e a ONU algo terrível está para ocorrer com nosso planeta, por isso foi inaugurado no início de 2008 o “cofre do fim do mundo” que visa abrigar sementes de todas as variedades conhecidas no mundo de plantas com valor alimentício.

Outros esperam pelo “Juízo Final” com a separação espiritual do “joio e do trigo” (visão bíblica), que se dará com a chegada de Jesus Cristo, ou através de uma visão mais atual com relação à seres extraterrestres, ou mesmo com o colapso total da civilização humana baseada no materialismo/egoísmo (fim do sistema econômico) e início de uma nova civilização voltada ao espiritualismo, amor e fraternidade.

Nesta mesma linha de “juízo final”, a teoria sobre a chegada dos seres extraterrestres se dará após um cataclismo provocado pela chegada do “segundo sol”, ou também conhecido como o "Planeta "X" / Nibiru", citado anteriormente.

Não podemos esquecer que na visão espiritualista do “fim do mundo”, o lado material (catástrofes, fim do dinheiro, materialismo, consumismo, etc) é colocado em segundo plano. Não que isso não acontecerá. Eles falam que sim, mas o que vai separar um mundo do outro é uma mudança consciencial: a consciência egoísta e individualista “sou ser humano, pertenço ao planeta Terra” morrerá e nascerá a consciência universalista “sou a encarnação de um espírito, pertenço ao Universo”.

Segundo essa crença, os espíritos reprovados no “juízo final”, ou seja, aqueles que não mudarem a consciência frente as últimas “provas”, serão exilados no "Planeta "X" / Nibiru" e terão que recomeçar do zero todo o processo de reencarnação, enquanto que os aprovados para a nova Terra vão estar livres de recordações do passado e qualquer traço de egoísmo e individualismo. Serão os habitantes da Terra de regeneração (como os espíritas falam).

Para os WebBots (programas dedicados à realizar previsões com base em dados colhidos na rede mundial de computadores) algo devastador vai ocorrer no ano de 2012.

Como se pode notar, muitos têm a sua versão e sua própria previsão do que poderá ocorrer no ano de 2012 (ou até esta data).

Mas se notar você vai ver que não será o “fim do mundo”, mas o fim de um tipo de mundo.

Não nos restam dúvidas que a nossa civilização está à beira do colapso. Prova maior disso é a atual crise financeira mundial e o aumento das catástrofes naturais, além do agravamento da violência e distúrbios psicológicos.

Qualquer um que usar a inteligência e fizer uma análise sobre os fatos mundiais que estão ocorrendo, deve compreender que se não houver uma mudança radical em nossa forma de viver, nossa sociedade não terá como sobreviver por muito tempo.


Nota: Recomendo a leitura de todo o conteúdo do texto no link acima indicado. Não nos custa saber um pouco a respeito do povo Maia, do alinhamento da nossa Galáxia e outros temas afins.[ETB]
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

VIDA FORA DA TERRA


Vida fora da terra
Enéias Teles Borges


Hoje eu li a notícia que destacou os resultados de um impacto provocado pela NASA (Agência Espacial Norte-Americana), que lançou uma sonda sobre a superfície escura da lua. O objetivo era a localização de água naquele satélite terrestre. O resultado superou o que se supunha: existe água numa cratera lunar e numa quantidade superior ao que se imaginava possível (leia a reportagem: Folha Online).

Em virtude desta notícia eu passei a meditar noutro assunto, objeto de convicção de alguns segmentos religiosos. Tais aglomerados da fé afirmam, de forma peremptória, que existe vida fora da Terra. Trata-se de vida pura, resultante de criação divina e que não está sujeita ao efeito do pecado - que está adstrito ao nosso planeta.

Imaginei como poderia reagir essa massa religiosa diante de uma descoberta de vida, ainda que muito primitiva, na lua, num planeta ou qualquer outro objeto do sistema solar ou até mesmo fora do sistema solar. Como reagiria diante dessa conclusão desconcertante? Como seria repensada a religiosidade de muitos?

Eu até suponho que haverá uma sequência de desculpas:

1. “Não há vida fora da Terra que possa ser alcançada por nós humanos pecadores! É efeito visual, promovido por influência do diabo!”

2. “Não é vida extraterrestre! É contaminação humana, levada para outros mundos devastados, sem valor e que, portanto, estão longe daquela criação perfeita de deus -protegida contra a nocividade pecaminosa do homem!”

3. “É hora de repensar a criação, origem da vida, vida em outros mundos (...). A ciência provou que conceitos arraigados em nós estão despidos de valor. Precisamos reestudar a religião!”

Como muitos passariam a se comportar diante de revolucionária informação? Não pairam dúvidas: qualquer vida encontrada fora da Terra destruirá conceitos, promoverá mudanças, ensejará apostasia da fé naquele instante comungada...

Um fato é inegável: muitas religiões escudadas na bíblia terão imensa dificuldade para defender qualquer tipo de postulado que tenha como base a criação divina. Aquela criação baseada na história (fábula) de Adão e Eva, pecado, remissão de pecado e afins...
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A QUESTÃO DA CERTEZA NO AGNOSTICISMO



A questão da certeza no agnosticismo

Enéias Teles Borges

Partindo duma premissa interessante do agnosticismo, que se finca na convicção de que é impossível provar ou negar a existência de deus, servindo-se dos meios humanos, eu me pergunto: Como se faz, então, a opção pelo teísmo ou pelo ateísmo? Claro que proponho a questão olhando pela perspectiva de um agnóstico...

Questão de escolha, sim, meramente de escolha. Um agnóstico pode, mesmo afirmando ser impossível provar ou negar a existência de deus, escolher ser criacionista ou ateu. Quando perguntado sobre o motivo de uma escolha ou outra, a resposta seria simples: “mesmo tendo a convicção de que é impossível provar ou negar a existência de tal divindade, por questão pessoal (e afins), escolhi ser assim ou assado...”

Muitos, quem sabe, surpreender-se-ão com isso. Imaginam que se um indivíduo não é ateu ou criacionista ele, por exclusão, é agnóstico. Já tratamos por aqui esse ponto. O agnosticismo não é o meio termo entre teístas e ateístas. Ponto final!

É possível, portanto, existir agnóstico ateu e agnóstico teísta e mais, dentro do teísmo é possível encontrar um agnóstico deísta.

Qual é, então, a diferença entre um agnóstico criacionista e um criacionista “normal”? Tomando como exemplo apenas o cristianismo, podemos afirmar que um criacionista “normal” aceita os fatos bíblicos como sendo verdadeiros. Exemplificando: o dilúvio. O agnóstico criacionista, por acreditar ser impossível provar ou negar a existência de deus, tende a não aceitar o dilúvio da forma como exarada na bíblia. Como seria possível acreditar nas informações dadas no livro milenar, como sendo a palavra expressa de deus, se ele, agnóstico, não vê prova de existência do poderoso ser?

Não é tão simples assim a questão da certeza em face do agnosticismo criacionista. E não poderia ser diferente. O criacionista “normal” não tem semelhança prática com o agnóstico criacionista, assim como não há similaridade prática entre o ateu convicto e o agnóstico ateu.

Voltaremos ao tema.
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domingo, 25 de outubro de 2009

A GUERRA DOS MENINOS



A guerra dos meninos
Enéias Teles Borges


Nos anos 1980 eu estava estudando no IAE (Instituto Adventista de Ensino) atual UNASP (Centro Universitário Adventista – SP). Houve um momento, entre o final do segundo grau e início da faculdade de teologia, em que me foi possível vivenciar um alvoroço no arraial. De repente um assunto tomou conta do meio: mensagens subliminares captadas ouvindo discos, girando-os em sentido contrário. Supostamente era possível ouvir mensagens satânicas quando algumas músicas eram ouvidas “ao contrário”. Eram muitos músicos estrangeiros, mas havia, também, alguns brasileiros. Destaques para Raul Seixas e Zé Ramalho.

Era uma loucura! Os pais, preocupados, lotavam o salão nobre da instituição. Eram noites de reavivamento espiritual. Precisavam convencer os filhos acerca da nocividade das músicas populares. Foi uma agitação maior do que outra, mais atual, promovida pelos livros e filmes de Harry Potter e pelo livro e filme “O Código da Vinci”.

Lembro-me claramente que uma música especial foi destaque. Justamente uma do cantor Roberto Carlos, do seu LP de 1980, cujo título é “a guerra dos meninos”. Trata-se de composição que fala de um sonho e neste sonho o cantor diz que foi o mais bonito de sua vida. Tem uma frase que despertou a atenção dos “analistas” que é a seguinte: “quando em minha porta alguém tocou, sem que ela se abrisse ele entrou..”

Esta frase causou comoção pois os ditos analistas asseveravam que somente uma força espiritual (no caso - maligna) poderia passar por uma porta não aberta. Tal força espiritual, claro, era do senhor das trevas. O interessante é que se desconsiderava o fato de que o cantor estava, desde o começo, referindo-se a um sonho. Sonho que tratava de paz vinda por meio de crianças? Não se sabe o motivo real da implicação profunda contra esta música em especial.

Não importa! A música foi ouvida ao contrário e os “analistas” separaram uma frase parecida com isso: “...e esse diabo vai cantar de novo...”

Pronto: a música tornou-se maldita! Professores do seminário de teologia foram convocados e muita coisa se disse e se ouviu a respeito de mensagens satânicas subliminares inseridas em músicas populares.

Não faz muito tempo lembrei-me desse episódio ocorrido há mais de 25 anos, e procurei saber o que tinha se passado com aqueles analistas, paraninfos da boa música. Soube que muitos tinham deixado esse assunto de lado. Havia sido um momento fugaz. Alguns até se sentiam envergonhados pelo alvoroço que promoveram e outros ainda seguem acreditando naquilo tudo, mas sem promover qualquer tipo de algaravia.

Eu soube, também, que eles andaram ouvindo “ao contrário” algumas músicas evangélicas, incluindo as dos adventistas, e ouviram frases parecidas com aquelas de músicas seculares. Ficaram com grande dúvida: se aquelas eram “do mal” como explicar as mensagens nas supostas músicas “do bem”?

Discussões à parte eu quero fazer um chamamento à reflexão. Nem sei se reflexão ou se um chamado ao “varandão da saudade”. Que tal ouvir a música, prestar atenção na letra e, quem sabe, emitir sua opinião?

Seria possível mesmo tudo aquilo que disseram da música? Que encerrava em si uma apologia ao mal? A música trata de “um bem maior”: a paz, o amor e deus... (claro que naquele tempo dizia-se que essa paz era uma paz falsa, advinda do mal ou uma forma de “contrafação”...) Sugiro que seja ouvida com calma e que a letra seja analisada de forma imparcial.

Eis o link para a música [a guerra dos meninos].
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O AGNÓSTICO É UM DESNORTEADO?

O agnóstico é um desnorteado?
Enéias Teles Borges


Segundo a análise de muitos, os teístas e os ateístas são indivíduos que, a despeito do contraste de suas convicções, podem ser considerados entes de norte definido. Por norte definido entende-se o oposto de desnorteado, que é o que perdeu o rumo ou sentido de direção que é confuso ou embaraçado. Tal entendimento, no que diz respeito a crer ou não crer na existência de divindades, faz do cidadão um ser convicto ou não, desnorteado ou não. Em suma diríamos que tanto o teísta quanto o ateísta são pessoas com seu rumo bem delineado, mesmo tendo convicções contrastantes.

O que dizer, então, de um agnóstico? Seria, portanto, um desnorteado por não partilhar rigorosamente de uma convicção (teísta ou ateísta)? Somente serão considerados com sentido de direção aqueles que se alinham com o teísmo ou ateísmo? Haveria uma terceira via? Essa outra via seria o agnosticismo?

É bom entender que para o agnóstico, assim como não é possível provar, de forma racional, a existência de divindades e do sobrenatural, é de igual maneira impossível provar que não existem. É claro que o agnóstico não considera isso um problema, já que ele não enxerga necessidade que o force a se enveredar por essa tarefa investigativa e estéril (divindades existem ou não existem?).

“Muitas pessoas usam, erroneamente, a palavra agnosticismo com o sentido de um meio-termo entre teísmo e ateísmo. Isso é estritamente incorreto pois teísmo e ateísmo separam aqueles que acreditam num Deus daqueles que não acreditam. O agnosticismo separa aqueles que acreditam que a razão não pode penetrar o reino do sobrenatural daqueles que defendem a capacidade da razão de afirmar ou negar a veracidade da crença teística”. (Wikipedia).

Ao definir que a razão não pode penetrar o reino sobrenatural o agnóstico mostra o seu norte e não se perturba com isso. Quem poderia, com o pleno uso da razão, afirmar que ele (agnóstico) está errado por assim proceder?

A maneira como o agnostismo pode melhor ser enxergada encontra guarida no seguinte: agnosticismo é uma forma mais intelectualmente honesta de ver a questão da existência ou não de um ser superior. Enquanto o ateísmo afirma que Deus não existe, numa posição que não pode ser provada, o agnosticismo argumenta que a existência de Deus não pode ser provada ou deixar de ser provada; que é impossível saber se Deus existe ou não. Neste conceito, o agnosticismo está certo. A existência de Deus não pode ser provada ou deixar de ser provada empiricamente.

O assim pensar é típico de um desnorteado ou de quem é honesto, compromissado e pronto para aceitar evidências de um lado ou de outro (caso existam)?
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sábado, 3 de outubro de 2009

SOBRE A ÉTICA E A MORALIDADE...

Sobre a ética e a moralidade...
Enéias Teles Borges


Uma missão difícil eu creio que está concluída. Foi a de mostrar às minhas filhas que a boa ética e sã moral independem de religiosidade ou, melhor dizendo, da cultura religiosa. O contexto no qual cresceram e estudaram tem imensa dificuldade para mostrar que é possível ser ateu e ainda assim ser ético e ter moralidade. Assim como existem pessoas boas é más nos centros de fé o mesmo ocorre nos âmbitos daqueles que creem na inexistência de qualquer divindade. Isto que dizer que elas, sendo teístas ou ateístas, estão obrigadas a enxergar esta vertente pura da ética e da moralidade.

Devo admitir que foi uma tarefa árdua. Cresci aprendendo que ser religioso é ser ético e não ter deus no coração é ser louco. Não é um provérbio bem difundido aquele que assevera ser néscio o que afirma não existir deus? Por suposta loucura há um encaixe: o ateu não é ético, logo o ateu conspira contra a moralidade. Algo como um mundo sem limites às mazelas da carne – promovido pelos loucos ateus. Não é isso que, enfim, fica transparente no discurso dos pseudo-religiosos?

Concluo, portanto, que a missão está cumprida e não é de hoje. Até considero minhas filhas como privilegiadas por não terem ouvido desde a infância “que eram filhas da luz” e que fora do contexto de fé no qual cresceram só existem os “filhos e filhas das trevas”.

Neste sábado tecemos comentários acerca da dissociação que há entre ética e religiosidade. Existem éticos em todos os lugares e isso independe de sexo, cor, religião e afins. Eu as ouvi falando longamente sobre isso. Foi gratificante não ver nelas os assustadores indícios da crença espúria: aquela que sugere que só o religioso é bom e, em contrapartida, o não religioso carece de freios morais.

Sinto-me aliviado pois sempre sofri pressão dos “meus iguais” que seguem habitando no centro de cultura religiosa. Quantas vezes eu ouvi algo como “é preciso manter suas crianças sempre na igreja para que aprendam o que é certo e saibam se afastar do que não é justo”. Ou assim: “você tem se ausentado da igreja. Você é adulto, mas sua atitude é prejudicial às suas filhas que necessitam frequentar a igreja...”

Não foi fácil ao longo dos 19 anos de uma filha acrescidos dos 16 anos paralelos da outra. Como é importante ver que entenderam que a ética e a moralidade são qualidades que precisam ser bem desenvolvidas e que para tal não são necessários o incentivo e o chicote dos centros de difusão da fé cega e da faca amolada.

Elas compreendem, é claro, que o ambiente dos centros de cultura religiosa é bom. Repleto de pessoas bem intencionadas, mas que carecem de uma visão mais clara e respeitosa acerca das demais pessoas de outras religiões e das que sequer têm religião - por serem atéias.

Sinto-me, no mês em que completei 47 anos, realizado no que concerne a este ponto importante, independentemente de religiosidade ou ausência dela: deve-se fazer o certo simplesmente porque é certo. Eis o que se pode dizer de ética e de moralidade. Eis o que me deixa com a convicção de que minhas filhas entenderam...
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