terça-feira, 27 de setembro de 2011

A exclusivista religião nazista

Em 1930, no Himalaia (Tibete), os nazistas começaram a explorar o topo do mundo em busca de evidencias de sumo sacerdotes que eles acreditavam serem seus ancestrais de sangue. A crença nesses ancestrais fundaria a nova religião da Alemanha, uma religião em que Adolf Hitler seria o sumo sacerdote. 

Havia a crença de que o sangue ariano puro estava sendo contaminado por raças inferiores, e que uma vez que essas raças inferiores fossem eliminadas surgiria novamente à raça ariana pura, que dominaria o mundo.

O fundamento dos alemães era uma crença pagã, de que em algum lugar do Atlântico Norte, num continente, habitava uma raça de super-seres que caíram em desgraça por conta do mal e da depravação, o nome desse continente era Atlântida, e antes deste povo ser destruído, sete sacerdotes escaparam de barco, chegando a Índia e ao Tibete, os místicos acreditam que esses sacerdotes sejam os verdadeiros deuses da raça ariana e também os ancestrais de todos os ancestrais indianos e europeus.

Alguns místicos acreditam que a história de Atlântida é real, e a prova é que os arianos eram o povo escolhido, descendentes dos deuses que habitavam o continente, e que os mesmos perderam seus poderes procriando com meros mortais.

A busca pela prova da superioridade ariana logo se transformou em crimes, e pessoas começaram a serem mortas, eles acreditavam que uma vez que a conseguissem provar que seus ancestrais eram deuses, seria simples recriar a raça de deuses arianos através da seleção para procriação.

Hitler proclamou que: “a humanidade sobe um degrau a cada 700 anos, e o objetivo final é a vinda dos filhos de Deus”.

Logo Hitler filiou-se a um partido, do qual em pouco tempo se tornou líder.

Num dos primeiros discursos de Hitler neste partido, estava presente Rudolf Hess, um veterano de guerra, que enxergou em Hitler, exímio orador, o homem que reconduziria a Alemanha ao lugar ocupado antes da guerra, crendo que Hitler era o “Messias” profetizado nos círculos pagãos da Alemanha.

Estes grupos pagãos eram freqüentados por pessoas ricas e influentes de Munique (capital da Alemanha) e praticavam a astrologia, contava com filósofos e reverenciavam o sol para conseguirem atingir os seus objetivos. 

Em 1920, o Partido dos Trabalhadores da Alemanha, mudou seu nome para “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães” (NSDAP), popularmente conhecido como “Partido Nazista”, que sob a liderança de Hitler cresceu exponencialmente em curto espaço de tempo. 

Naquela época os judeus já eram hostilizados, pois, criam que os judeus impediam os arianos de ocupar o seu lugar de direito de dominadores do mundo. 

E assim Alfred Rosenberg, lançou o livro “A Religião do Sangue”, a nova doutrina nazista, pois, acreditava que a igreja deveria ser “Igreja de Sangue” ao invés da “Igreja da Fé/Igreja da Crença”, pois, o sangue unia as raças nórdicas, para Rosenberg sangue, descendência racial e identidade racial tornaram-se o principio da nova ideologia. Os mitos nórdicos substituíram a Bíblia como fundação da nova religião.

Hitler foi além da doutrina de Rosenberg e escreveu “Vamos arrancar a fachada cristã e trazer a religião peculiar a nossa raça.

E como símbolo da religião nazista, Hitler escolheu a suástica, que estava presente em diversas culturas, para os chineses a suástica era tida como símbolo da sorte, e até hoje são símbolos das religiões hindus e budistas, a suástica também representava o martelo de Thor o deus do trovão e força na crença pagã nórdica. Para Hitler, a suástica representava a missão da luta pela vitória do homem ariano.

Em 1933 Hitler torna-se fhurer (o líder), com os rituais da sua religião instaurada, iniciou-se a doutrinação na fé nazista tendo Hitler como deus começava cedo e tinha continuidade na vida adulta. E havia fidelidade a Hitler, era orgulho viver ou morrer por Hitler.

E na busca da recriação da raça ariana, instituiu-se o “Programa Nacional de Eutanásia de Crianças Deficientes”, onde crianças que nasciam com algum tipo de enfermidade eram mortas. As propagandas alegavam que a morte dessas crianças era um ato de caridade, que libertava almas aprisionadas em corpos atormentados.

Muitos acreditam que os nazistas invocavam espíritos estranhos e eram adeptos de milenares rituais ocultistas da Europa, documentos comprovam que suas crenças se baseavam em crenças pagãs de lutas entre a luz e as trevas.

A crença nazista também se apoiou na crença hindu da reencarnação e castas, historiadores afirmam que Hitler acreditava ser a reencarnação do rei Hendrich, um líder alemão da idade média que impediu a invasão islava.

A “SS” um órgão de repressão do governo nazista era tido por Hitler como soldados de uma “guerra santa”.

Os maçons também foram vitimas do regime nazista, pois, criam que era uma sociedade secreta criada por judeus para conspirar contra os alemães. 

As concentrações de massa eram cuidadosamente preparadas para serem emotivas e provocarem o êxtase religioso, e no centro desse ritual estava Hitler, que “encarnava” o Messias, uma divindade. 

E o domínio nazista foi aumentando, nações e mais nações foram derrotadas pelos arianos, até que ao experimentar a derrota, chefes da marinha alemã passaram a crer que os aliados estavam usando as forças místicas da guerra contra a Alemanha, e como defesa os alemães também deveriam usar de forças ocultas e isso levou a fundação de um instituto de pendulo, onde com objetos suspensos por uma corda sobre mapas tentavam indicar a posição das embarcações e submarinos dos inimigos, e com base nessas vidências eram dada as coordenadas para a marinha alemã.

Cercado pelas forças dos países aliados, Hitler acreditava que forças místicas poderiam salvá-lo da derrota que estava clara, mas não foi assim, tanto que Hitler e sua noiva cometeram suicídio.
Em novembro de 1945 vários nazistas do alto escalão foram julgados pelos países aliados em Nuremberg, e o ocultista Rosenberg, autor do livro “A religião do Sangue” foi enforcado em novembro de 1946.

O Terceiro Reich que deveria durar mais de 1000 anos durou apenas 12 anos, e fez 50 milhões de vitimas.

Todas as culturas sofreram influencias místicas, porém, na Alemanha nazista a ligação de políticos com o ocultismo levou a um mal sem paralelos na história.


Nota: Não há como pensar diferente: a crença faz bem, mas o mundo seria muito melhor sem qualquer tipo de religião (cultura religiosa). 

Enéias Teles Borges

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um ateu praticante...

Do blogue DEUSILUSÃO

Eu sou ateu. Praticante.

O ateu não é, como muito estupidamente se pensa, aquela pessoa que ‘não acredita em nada’. Eu acredito, sim, em muitas coisas. Uma delas é que um mundo sem religião seria um lugar bem melhor para se viver. As pessoas poderiam muito bem inventar quantos deuses quisessem para adorar, pelos quais estragassem as suas vidas e desperdiçassem o  seu tempo. Isso seria problema delas, desde que mantivessem esses hábitos na sua privacidade. Entretanto, a religião é o que faz com que essas ilusões se tornem prejudiciais não só para quem nelas acredita, mas  para todos nós.

Você pode querer argumentar que a “sua” religião é uma religião “do bem”, “boazinha”, “não faz mal a ninguém”, isso querendo comparar com, digamos, a religião muçulmana. Mas como você, obviamente, não consegue entender, se a sua religião não é uma das três grandes monoteístas — cristã, judaica e islâmica –, nem a dos mórmons, nem a hindu, nem uma das outras menores,  se a “sua” não é uma dessas, é com absoluta certeza uma ramificação de uma delas, ou uma ramificação de uma ramificação, dentre as inúmeras outras que pipocam todo dia no “mercado”, e que você “a escolheu” porque ela serviu em você — como um sapato. Mas, assim como o sapato, a “sua” religião também foi fabricada para suprir uma necessidade sua e gerar renda para o seu fabricante. Você obviamente não tem interesse em enxergar a quantidade de gente que está enriquecendo com isso; mas outras pessoas enxergaram: daí o motivo de tantas “novas” igrejas. A indústria da fé.

Mas o seu argumento continua de pé: sua religião é do bem. Você pode querer dizer que a sua religião não quer dominar o mundo, matar infiéis, impor à força o seu Deus, governar o país, etc. Você pode dizer, por exemplo, que não pertence à fé cristã, que ceifou milhões — milhões — de vidas humanas ao longo da História pela fogueira, pela tortura, pela espada, pelas guerras e por aí afora. Mas o que você também não entende, e talvez mesmo não queira entender, é que ela só não fez isso tudo porque nunca teve o poder para isso. Nunca teve, ou não tem “ainda”.

Esse blog foi concebido não só para expressar algumas das minhas opiniões sobre Deus, religião, fé, ateísmo e tal. Eu pretendo convidar pessoas religiosas para lerem os meus textos e darem suas opiniões. Não farei isso na intenção de que se tornem ateias, de que aceitem a minha visão do mundo, mas, sim, com o tentador convite para que me convençam de suas crenças e derrubem as minhas, e que possam, com isso (quem sabe?), “salvar a minha alma”.

Um outro motivo para a criação do blog é a minha própria proteção. É mais seguro defender minhas opiniões daqui. Um ateu dificilmente conservaria todos os dentes na boca caso se atrevesse a usar o mesmo expediente de pregar em praça pública as suas convicções, tal como o crente faz. Não é nada fácil imaginar que um grupo de ateus seria capaz de se reunir e agredir um pregador que estivesse divulgando as suas crenças num local público. Entretanto, seria exatamente isso o que se poderia esperar dos religiosos se fosse um ateu o orador. Por isso eu prefiro a relativa segurança da web à insegurança do púlpito. Eu considero as pessoas religiosas tão inofensivas quanto um bêbado dirigindo uma escavadeira. Ou segurando um revólver. Um ateu covarde, vivo e “praticante” é infinitamente mais útil do que um ateu valente e morto. Nós, ateus, não precisamos de mártires.

Eu “criei” esse blog em 3 passos. Levou apenas 6 minutos. No 7º eu descansei.

Autor: Valmidênio Barros do Blogue DEUSILUSÃO.

Nota: Um dos melhores blogues da internet brasileira. Impossível ler os textos e deixar de imaginar uma mente inteligente por trás.

Enéias Teles Borges

sábado, 6 de agosto de 2011

Transmitindo a esperança...

Um líder de igreja local resolveu visitar seu superior para lhe pedir conselhos. Seu comandante era um homem escolado, idoso e com muita experiência no trato dos fiéis. Lá chegando abriu o coração.

- Está muito difícil cuidar da igreja. Sou procurado todos os dias para dar conselhos, efetuar casamentos, funerais e muitas outras atividades afins. Tenho consolado as pessoas, mas preciso ser franco: não consigo acreditar mais naquilo que doutrino.

O ancião olhou para aquele jovem líder de igreja local e lhe disse:

- Quanto eu tinha a sua idade tive que enfrentar as mesmas situações e depois, como você está fazendo agora, aconselhei-me com um ancião. Vou lhe transmitir o mesmo que ele me ensinou e aquilo que faço até hoje.

- Ele me ensinou (prosseguiu o ancião) que nós temos uma missão especial, pois somos mais fortes que a maioria das pessoas. Ensinou-me que os fiéis, assim como nós, vivem num mundo cão. Vivem e sofrem, tendo como consolo a esperança da fé que professam. Percorrem o vale da sombra da morte cultivando uma convicção que nós transmitimos: a de que depois desta vida miserável haverá uma vida melhor.

- Imagine se nós (disse mais o ancião), que não cremos no que pregamos, começássemos a mostrar para eles a realidade da vida e da morte. Imagine se mostrássemos que depois desta vida horrível e curta não existe mais nada além do nada eterno...

- Siga o meu conselho (concluiu o ancião), o mesmo que recebi com a sua idade. Continue transmitindo a esperança. Mesmo sabendo que ela está escudada em ficção, continue até que você fique velho como eu. Transmita um pouco de alegria aos membros da sua igreja. Eles não possuem nada além da fé! Imagine se também deixassem de possuir a esperança...

Foi assim que aquele jovem pastor de igreja local, seguiu cumprindo a sua missão. A de oferecer fantasia, para combater a dura realidade da vida e da morte.

Por que tirar a esperança de um povo, quando não se tem nada melhor para colocar no lugar? No mundo religioso a ignorância quanto à verdade da vida e da morte é importante fator de esperança. A esperança não precisa coadunar com a verdade...

 
Enéias Teles Borges

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sou contra o proselitismo religioso

Hoje à noite, por volta das 19 horas, o telefone tocou. Era uma pessoa (homem) se oferecendo para ler um texto bíblico. Depois que desliguei o fone, o outro telefone aqui de casa tocou, era uma mulher se oferecendo para a mesma coisa.

Eu agradeci pela cordialidade, mas não abri espaço para saber de qual igreja eram. Sei que estavam ligando para as casas da região. A intenção é boa, mas não me interessa saber qual o conglomerado da fé está fazendo isso. Caso a turma se identifique, a Bíblia passará para o segundo plano, cedendo o lugar para o “asqueroso” proselitismo. É do proselitismo que vem a ideia horrível da “verdade única” e que pertence à denominação que prega qualquer verdade (que diz ser o remanescente de Deus aqui na Terra).

Além do bom pretexto para se ler a Bíblia para as pessoas, certamente haverá uma estatística apontando quantas ligações foram feitas e o resultado disso. Certamente o objetivo é levar “almas ao pé da cruz”, mas via qual igreja?

Seria muito bom se esse tipo de atividade missionária e social fosse desenvolvido de tal maneira que não houvesse necessidade de dizer qual o centro de fé está efetuando a missão.

Nada contra a leitura da Bíblia para ouvintes, via telefone. Tudo contra o proselitismo.

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Decifrando a crença religiosa

1. Introdução

Sempre tive a curiosidade de entender por que se acredita na existência de deus. Quero dizer, eu sei que deus não existe, mas sei também que se acredita nele. E, se se acredita, deve haver algum motivo para isso — algum motivo humano.

Porém, como os próprios indivíduos que creem nesse tipo de “entidade” parecem ignorar esse tipo de detalhe, e como os ateus em geral contentam-se com refutações conceituais da existência divina, nunca foi fácil distinguir o melhor caminho a ser tomado para investigar esse tipo de questão.

Seria fácil demonstrar que crenças religiosas estão equivocadas quanto ao mundo exterior. Porém, a ideia nunca foi simplesmente rotulá-las como “equivocadas” e encerrar a discussão. Queria também entendê-las quanto àquilo em que estão certas — isto é, quanto ao nosso mundo interior. Noutras palavras, por que a crença religiosa funciona, se sabemos que é falsa?

2. A raiz emocional da crença

Depois de alguns anos refletindo sobre o assunto, cheguei a um modelo que parece razoável para explicar esse fenômeno.

A premissa é que a crença religiosa baseia-se em sentimentos, sendo a racionalização de tais sentimentos na forma de “explicações” aquilo que constitui a esfera “conceitual” da crença religiosa.

Sabemos que, nesse nível conceitual — no sentido de ser uma “explicação” para o mundo —, a religião está em geral equivocada, havendo abundantes evidências disso no meio científico. Porém, o que nos interessa aqui é entender a esfera “humana” da crença religiosa, não o mero reflexo linguístico disso, as racionalizações desse sentimento.

O problema é que, para tornar um sentimento comunicável, precisamos racionalizá-lo, transformá-lo em conceitos — e tais conceitos, baseando-se em sentimentos pessoais que antecedem a linguagem, serão algo incompreensível aos que não tiverem vivido esses mesmos sentimentos pessoalmente.

Serão algo, por assim dizer, “criptografado”. No caso, a única chave para entender tais conceitos seria ter vivido as experiências nas quais se baseiam.

A crença religiosa nasceria, então, como um sentimento pessoal. Esse sentimento seria depois racionalizado em alguma “teoria”, tornando-se comunicável. Porém, nesse processo de tradução “sentimento/linguagem”, só os que tivessem experimentado esses mesmos sentimentos conseguiriam entender o “verdadeiro sentido” do que quisemos dizer. Os demais permaneceriam “incrédulos” ou “cegos” à nossa verdade, pois não a “viveram” (parece ser esse o mecanismo psicológico de uma “verdade revelada”).

Nessa ótica, a raiz da religiosidade não estaria naquilo em que se acredita, isto é, nas explicações particulares que aprendemos a dar para nossos sentimentos. Isso diferiria de indivíduo para indivíduo.

Pelo contrário, a religiosidade estaria nesses próprios sentimentos, tomados em si mesmos. Porém, em si mesmos, tais sentimentos são incomunicáveis.

O importante está em notarmos que, por detrás da “casca linguística” de nossas crenças, que seria “superficial”, haveria esse nível mais “profundo” de nossas vidas, que é essencialmente emocional — e seria esse elemento emocional que nos inspiraria à criação de “explicações” que, por sua vez, justificariam essas mesmas emoções racionalmente, num movimento circular de autovalidação (vemos aqui uma clara hierarquia entre razão e emoção, estando a emoção decisivamente no controle, porém de uma forma dissimulada).

Então, para entendermos a crença religiosa, seria preciso entendermos essa raiz emocional da qual nasce. Porém, como essa raiz emocional existe num nível pré-linguístico de nossas vidas mentais, parece impossível penetrar na questão religiosa diretamente, por meio da racionalidade, sem nunca ter vivido experiências religiosas. Seria como tentar “entender” o que é “verde” sem nunca ter visto cores.

Até aqui, tudo o que fizemos foi delinear como a crença religiosa parece nascer de um sentimento, o qual seria então racionalizado em alguma “explicação” — lembrando que tais explicações, à luz da ciência, quase invariavelmente se mostram equivocadas. Naturalmente, não haveria problema algum se a questão da religiosidade permanecesse restrita ao âmbito de nossa interioridade, como uma espécie de “sabedoria de vida”. Porém, quando passamos a buscar em nossas vidas interiores respostas para o mundo exterior, caímos no erro típico das explicações religiosas: o indivíduo projeta seus sentimentos pessoais como explicações para a realidade exterior — tentando explicar o mundo a partir de como se sente a seu respeito. Porém, como a física não está submetida aos nossos sistemas límbicos, o resultado disso é sempre uma interpretação falsa da realidade, centrada na perspectiva humana, e que não pode ser demonstrada de forma objetiva, pois só existe em nosso modo pessoal de sentir a realidade.

3. Amigos reais e imaginários


Essa parece ser a mecânica essencial da crença humana, não apenas a religiosa. Convicções de base emocional parecem sempre basear-se nesse mesmo mecanismo de “racionalização” de sentimentos. Agora, para conseguirmos penetrar um pouco na questão religiosa sem ter acesso à chave original — a experiência mística —, podemos tentar outro caminho, o da empatia.

Pensemos o seguinte: se tivéssemos de explicar a crença religiosa em termos de sentimentos que conhecemos bem, que sentimentos seriam esses? Por exemplo, se entendêssemos a crença religiosa como gerada pelos mesmos mecanismos mentais, digamos, da amizade ou do amor, não seria essa uma perspectiva muito mais familiar, e muito mais inteligível, a partir da qual interpretar a questão?

Então, para começar a “entrar” no pensamento religioso a partir desse solo compartilhado, imaginemos a seguinte situação: um indivíduo xis está defendendo que deus existe porque, com ele, sua vida tem “sentido”.

Claro que, do ponto de vista formal, esse argumento não diz muita coisa. Porém, deixemos de lado a questão de o indivíduo estar certo ou não, e tentemos apenas entender o que ele está dizendo: sua alegação é que, com a crença em deus, sua vida se torna mais agradável.

Se pensarmos dessa maneira, ficará claro que o que justifica a crença religiosa, nesse nível afetivo, não é sua veracidade, mas o prazer que ela nos proporciona. Agora pensemos: esse tipo de prazer proporcionado pela crença religiosa pode ser equiparado a qualquer outro que sintamos em nosso dia a dia? Parece que sim.

Para ilustrar, imaginemos que estivéssemos nos sentindo sozinhos na vida, abandonados a nós mesmos numa existência solitária e sem sentido. Sentimo-nos vazios, atravessados pela sensação de irrealidade de nossos sonhos.

Agora suponha-se que, determinado dia, encontrássemos uma pessoa, ou um grupo de pessoas, com que compartilhar nossas vidas — pessoas que dessem atenção ao que fazemos, que nos motivassem, nos ajudassem a alcançar nossos objetivos, e assim por diante. Poderíamos dizer que, nessa situação, a convivência “deu sentido” às nossas vidas.

Muito bem, agora nos perguntemos: em que o “sentido” encontrado a partir de outro ser humano diferiria do sentido encontrado a partir da crença em deus? Ao que parece, em nada. Talvez pareça existir alguma diferença em nível conceitual — talvez se racionalizarmos que o “sentido divino” seria “mais perfeito” que o humano —, mas não parece haver qualquer diferença em como nos sentimos. O resultado prático, o bem-estar, é o mesmo.

Claro que a religião lida com toda uma série de sentimentos distintos. Porém, parecem ser todos sentimentos cotidianos, que experimentamos no dia a dia. Nesse caso particular, como deus nos afasta da “solidão” ou do “vazio”, note-se que ele estaria funcionando como uma espécie de amigo imaginário, e não fazemos tal afirmação simplesmente como um “insulto”, mas como uma descrição bastante exata do que parece estar ocorrendo, isto é, do papel que a crença nessa entidade estaria executando em nossas vidas em termos de satisfação pessoal.

Deus, nessa ótica, seria uma espécie de “amigo de segurança”, protegendo-nos da sensação de que nossas vidas poderiam a qualquer momento despencar no vazio. Naturalmente, esse é um papel que poderia, a princípio, ser executado por qualquer pessoa. Porém, quando não temos ninguém ao nosso lado, o que nos resta é deus. Assim, nessa lógica, indivíduos acreditariam em deus pelo mesmo motivo que têm amigos — porque vivem melhor assim.

4. Racionalizando o desconhecido

Antes de encerrar a discussão, resta analisarmos um último ponto: a independência entre o que pensamos e o que sentimos. Para exemplificar essa ideia, consideremos que, aos olhos do indivíduo religioso, o prazer decorrente da “amizade divina” será em geral entendido como uma “prova” da existência de deus. Porém, eis o detalhe interessante: se refutássemos essa sua explicação — e todas as demais que pudesse oferecer —, ele deixaria de crer em deus? Dificilmente, pois continuaria sentindo que deus existe — sendo essa a verdadeira base de sua crença. Então, mesmo que o indivíduo tenha agora encontrado uma “razão” para crer em deus, não foi essa razão que, originalmente, o levou a crer.

Por isso refutá-la também não o levará a descrer. Para que parasse de crer, precisaríamos fazer com que o indivíduo parasse de sentir que deus existe — e parece difícil imaginar como isso poderia ser feito.

Perceba-se que, no exemplo acima, as “explicações” do indivíduo religioso seriam apenas uma tentativa, mais ou menos desesperada, de justificar aquilo que sente, sendo óbvio que a motivação por detrás de seu comportamento não é entender o mundo, mas proteger seu objeto de afeto — a agradável sensação de “sentir-se acompanhado” que deus lhe proporciona. Então, como suas “explicações” são simplesmente um meio, resulta que não faz realmente diferença se o indivíduo acredita que seu bem-estar decorre de um “milagre divino”, de uma “iluminação espiritual”, ou de qualquer outra fantasia do gênero. Sua explicação é tão somente um palavrório vazio para uma realidade que ele ignora sobre si mesmo.

As explicações racionais que damos para nossos sentimentos seriam, nessa ótica, simplesmente um véu de linguagem lançado sobre uma base irracional, sobre a qual não temos controle, e que em geral não entendemos — indicando por que temos a tendência de “explicar” tais sentimentos de maneira simbólica, por meio de racionalizações, em vez de explicá-los literalmente, por meio de descrições.
Nesse esquema, como já deve ter ficado claro, o conceito de deus seria apenas um simbolismo para algo que o indivíduo sente. Ao falar da existência de deus, o sujeito pensa estar falando de um ente exterior, mas, sem perceber, está descrevendo sua própria vida interior — a despeito de a alegoria usada para “dar forma” a esse sentimento ter acidentalmente tomado a forma de uma explicação para o mundo.

Dentro disso, um detalhe interessante é que, apesar de não entendermos realmente a natureza e a significância da crença em deus, nós agimos como se entendêssemos. Nós em geral também não entendemos por que queremos ter amigos — mas mesmo assim queremos tê-los. Nessa situação, se nos perguntarem o porquê disso, as chances são que inventaremos uma explicação qualquer para justificar aquilo que sentimos — sendo óbvio que, se alguém refutasse tais razões, nós nem por isso deixaríamos de ter amigos. Similarmente, no caso da crença religiosa, sabemos no que acreditar, mas não sabemos o porquê disso. Nessa situação, nós inventamos uma explicação que supostamente justificaria nossos sentimentos, e passamos a gostar dessa explicação, não porque ela faz sentido, não porque ela é verdadeira, mas porque ela reflete aquilo de sentimos. Porém, o tempo todo, ao proceder dessa maneira, confabulando explicações racionais para nossa vida interior, parece que estamos apenas tentando dar forma, através da linguagem, ao mundo que existe dentro de nós mesmos — não tentando entender o mundo que nos cerca.

A lição a ser tirada disso tudo parece ser que, em grande parte, nós não entendemos nossas próprias vidas. Daí ser possível esse tipo de equívoco tão básico sobre nós mesmos, e sobre a natureza da realidade.

5. Conclusão


Mesmo que só em linhas gerais, a exposição acima já nos dá alguma direção para começarmos a “decodificar” a religião em termos naturais. Apesar de o conteúdo conceitual da crença religiosa ser facilmente refutável, vimos que não parece ser essa a sua essência. Parece haver algo essencialmente humano no que faz a religião funcionar, e esse algo não parece depender das explicações particulares em que se acredita. Dito de outro modo, apesar de tomar frequentemente essa roupagem, a religião não seria uma explicação para o mundo, mas uma explicação de nós mesmos. Então, se quisermos entender por que a religião é falsa, bastará olharmos o mundo ao nosso redor. Porém, se quisermos entender por que é verdadeira, teremos de olhar para dentro de nós mesmos.

Autor: André Cancian
Fonte: (ateus net)

Enéias Teles Borges - Editor do Blogue

domingo, 5 de junho de 2011

Religião faz o cérebro encolher

O CIÊNCIA MALUCA adora uma boa banalidade – e não vê problema algum nisso. Mas o papo hoje é um pouquinho mais sério.

Tem um milhão de estudos por aí que apontam uma série de benefícios da religião para o cérebro. Mas, na ciência (ainda mais quando a gente inclui o “maluca” no meio), pouca coisa é unanimidade. Pesquisadores da Universidade de Duke, nos EUA, observaram os cérebros de 268 homens e mulheres com mais de 58 anos e notaram que o hipocampo – região envolvida, principalmente, na formação de memórias – era significativamente menor naqueles que se identificavam com grupos religiosos específicos ou que tinham passado por experiências religiosas de mudança de vida – aquela coisa de estar quase morrendo e “nascer” de novo, por exemplo.

Por quê? 

Hum, ninguém tem certeza ainda. Mas a principal hipótese do estudo é que certos aspectos da religião causem, em algumas pessoas, um estado constante de estresse.

Um indivíduo que faz parte de uma minoria religiosa e sofre preconceito por isso vive num estado de nervos mais delicado. Também pode acontecer com o sujeito que vive com o medo de ser punido por Deus por isso ou aquilo, ou então com o que tem ideias conflitantes com certos dogmas da religião. Ao longo do tempo, a liberação constante dos hormônios do estresse diminuiria o volume do hipocampo.

Tenso, né?


Nota: Quero vera agora. Será que os partidários da Fé Cega, Faca Amolada (FCFA) dirão alguma coisa?

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Deus capacita os escolhidos?

A frase é bonita e causa impacto: "Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos". Já a ouvi inúmeras vezes e em todas eu me perguntei: faz sentido? Acredito que não. É óbvio que para um agnóstico teísta (meu caso) o resultado de qualquer conclusão será irrelevante. Quero me postar, agora, como um membro fiel de uma entidade difusora de cultura religiosa. Nessa postura é que afirmo: a frase em testilha não faz sentido. Fica a impressão que a escolha divina é dirigida exclusivamente aos incapacitados. Quer dizer então que existem pessoas capacitadas e que por essa razão jamais serão escolhidas? O que é capacitação? Para pregar, para dar bom exemplo, para ser eticamente correto? A frase foi feita para causar impacto, nada mais que isso. Ela é inteiramente despida de coerência.

Uma análise sincera da frase acima leva uma pessoa justa pensar mais ou menos da seguinte maneira: a frase correta deveria ser: "Deus escolhe capacitados e incapacitados, aperfeiçoa os capacitados, capacita e aperfeiçoa os incapacitados"...

Esquecendo que o ora digitador é agnóstico, não faz mais sentido a frase "adaptada"?

Enéias Teles Borges