sábado, 6 de agosto de 2011

Transmitindo a esperança...

Um líder de igreja local resolveu visitar seu superior para lhe pedir conselhos. Seu comandante era um homem escolado, idoso e com muita experiência no trato dos fiéis. Lá chegando abriu o coração.

- Está muito difícil cuidar da igreja. Sou procurado todos os dias para dar conselhos, efetuar casamentos, funerais e muitas outras atividades afins. Tenho consolado as pessoas, mas preciso ser franco: não consigo acreditar mais naquilo que doutrino.

O ancião olhou para aquele jovem líder de igreja local e lhe disse:

- Quanto eu tinha a sua idade tive que enfrentar as mesmas situações e depois, como você está fazendo agora, aconselhei-me com um ancião. Vou lhe transmitir o mesmo que ele me ensinou e aquilo que faço até hoje.

- Ele me ensinou (prosseguiu o ancião) que nós temos uma missão especial, pois somos mais fortes que a maioria das pessoas. Ensinou-me que os fiéis, assim como nós, vivem num mundo cão. Vivem e sofrem, tendo como consolo a esperança da fé que professam. Percorrem o vale da sombra da morte cultivando uma convicção que nós transmitimos: a de que depois desta vida miserável haverá uma vida melhor.

- Imagine se nós (disse mais o ancião), que não cremos no que pregamos, começássemos a mostrar para eles a realidade da vida e da morte. Imagine se mostrássemos que depois desta vida horrível e curta não existe mais nada além do nada eterno...

- Siga o meu conselho (concluiu o ancião), o mesmo que recebi com a sua idade. Continue transmitindo a esperança. Mesmo sabendo que ela está escudada em ficção, continue até que você fique velho como eu. Transmita um pouco de alegria aos membros da sua igreja. Eles não possuem nada além da fé! Imagine se também deixassem de possuir a esperança...

Foi assim que aquele jovem pastor de igreja local, seguiu cumprindo a sua missão. A de oferecer fantasia, para combater a dura realidade da vida e da morte.

Por que tirar a esperança de um povo, quando não se tem nada melhor para colocar no lugar? No mundo religioso a ignorância quanto à verdade da vida e da morte é importante fator de esperança. A esperança não precisa coadunar com a verdade...

 
Enéias Teles Borges

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sou contra o proselitismo religioso

Hoje à noite, por volta das 19 horas, o telefone tocou. Era uma pessoa (homem) se oferecendo para ler um texto bíblico. Depois que desliguei o fone, o outro telefone aqui de casa tocou, era uma mulher se oferecendo para a mesma coisa.

Eu agradeci pela cordialidade, mas não abri espaço para saber de qual igreja eram. Sei que estavam ligando para as casas da região. A intenção é boa, mas não me interessa saber qual o conglomerado da fé está fazendo isso. Caso a turma se identifique, a Bíblia passará para o segundo plano, cedendo o lugar para o “asqueroso” proselitismo. É do proselitismo que vem a ideia horrível da “verdade única” e que pertence à denominação que prega qualquer verdade (que diz ser o remanescente de Deus aqui na Terra).

Além do bom pretexto para se ler a Bíblia para as pessoas, certamente haverá uma estatística apontando quantas ligações foram feitas e o resultado disso. Certamente o objetivo é levar “almas ao pé da cruz”, mas via qual igreja?

Seria muito bom se esse tipo de atividade missionária e social fosse desenvolvido de tal maneira que não houvesse necessidade de dizer qual o centro de fé está efetuando a missão.

Nada contra a leitura da Bíblia para ouvintes, via telefone. Tudo contra o proselitismo.

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Decifrando a crença religiosa

1. Introdução

Sempre tive a curiosidade de entender por que se acredita na existência de deus. Quero dizer, eu sei que deus não existe, mas sei também que se acredita nele. E, se se acredita, deve haver algum motivo para isso — algum motivo humano.

Porém, como os próprios indivíduos que creem nesse tipo de “entidade” parecem ignorar esse tipo de detalhe, e como os ateus em geral contentam-se com refutações conceituais da existência divina, nunca foi fácil distinguir o melhor caminho a ser tomado para investigar esse tipo de questão.

Seria fácil demonstrar que crenças religiosas estão equivocadas quanto ao mundo exterior. Porém, a ideia nunca foi simplesmente rotulá-las como “equivocadas” e encerrar a discussão. Queria também entendê-las quanto àquilo em que estão certas — isto é, quanto ao nosso mundo interior. Noutras palavras, por que a crença religiosa funciona, se sabemos que é falsa?

2. A raiz emocional da crença

Depois de alguns anos refletindo sobre o assunto, cheguei a um modelo que parece razoável para explicar esse fenômeno.

A premissa é que a crença religiosa baseia-se em sentimentos, sendo a racionalização de tais sentimentos na forma de “explicações” aquilo que constitui a esfera “conceitual” da crença religiosa.

Sabemos que, nesse nível conceitual — no sentido de ser uma “explicação” para o mundo —, a religião está em geral equivocada, havendo abundantes evidências disso no meio científico. Porém, o que nos interessa aqui é entender a esfera “humana” da crença religiosa, não o mero reflexo linguístico disso, as racionalizações desse sentimento.

O problema é que, para tornar um sentimento comunicável, precisamos racionalizá-lo, transformá-lo em conceitos — e tais conceitos, baseando-se em sentimentos pessoais que antecedem a linguagem, serão algo incompreensível aos que não tiverem vivido esses mesmos sentimentos pessoalmente.

Serão algo, por assim dizer, “criptografado”. No caso, a única chave para entender tais conceitos seria ter vivido as experiências nas quais se baseiam.

A crença religiosa nasceria, então, como um sentimento pessoal. Esse sentimento seria depois racionalizado em alguma “teoria”, tornando-se comunicável. Porém, nesse processo de tradução “sentimento/linguagem”, só os que tivessem experimentado esses mesmos sentimentos conseguiriam entender o “verdadeiro sentido” do que quisemos dizer. Os demais permaneceriam “incrédulos” ou “cegos” à nossa verdade, pois não a “viveram” (parece ser esse o mecanismo psicológico de uma “verdade revelada”).

Nessa ótica, a raiz da religiosidade não estaria naquilo em que se acredita, isto é, nas explicações particulares que aprendemos a dar para nossos sentimentos. Isso diferiria de indivíduo para indivíduo.

Pelo contrário, a religiosidade estaria nesses próprios sentimentos, tomados em si mesmos. Porém, em si mesmos, tais sentimentos são incomunicáveis.

O importante está em notarmos que, por detrás da “casca linguística” de nossas crenças, que seria “superficial”, haveria esse nível mais “profundo” de nossas vidas, que é essencialmente emocional — e seria esse elemento emocional que nos inspiraria à criação de “explicações” que, por sua vez, justificariam essas mesmas emoções racionalmente, num movimento circular de autovalidação (vemos aqui uma clara hierarquia entre razão e emoção, estando a emoção decisivamente no controle, porém de uma forma dissimulada).

Então, para entendermos a crença religiosa, seria preciso entendermos essa raiz emocional da qual nasce. Porém, como essa raiz emocional existe num nível pré-linguístico de nossas vidas mentais, parece impossível penetrar na questão religiosa diretamente, por meio da racionalidade, sem nunca ter vivido experiências religiosas. Seria como tentar “entender” o que é “verde” sem nunca ter visto cores.

Até aqui, tudo o que fizemos foi delinear como a crença religiosa parece nascer de um sentimento, o qual seria então racionalizado em alguma “explicação” — lembrando que tais explicações, à luz da ciência, quase invariavelmente se mostram equivocadas. Naturalmente, não haveria problema algum se a questão da religiosidade permanecesse restrita ao âmbito de nossa interioridade, como uma espécie de “sabedoria de vida”. Porém, quando passamos a buscar em nossas vidas interiores respostas para o mundo exterior, caímos no erro típico das explicações religiosas: o indivíduo projeta seus sentimentos pessoais como explicações para a realidade exterior — tentando explicar o mundo a partir de como se sente a seu respeito. Porém, como a física não está submetida aos nossos sistemas límbicos, o resultado disso é sempre uma interpretação falsa da realidade, centrada na perspectiva humana, e que não pode ser demonstrada de forma objetiva, pois só existe em nosso modo pessoal de sentir a realidade.

3. Amigos reais e imaginários


Essa parece ser a mecânica essencial da crença humana, não apenas a religiosa. Convicções de base emocional parecem sempre basear-se nesse mesmo mecanismo de “racionalização” de sentimentos. Agora, para conseguirmos penetrar um pouco na questão religiosa sem ter acesso à chave original — a experiência mística —, podemos tentar outro caminho, o da empatia.

Pensemos o seguinte: se tivéssemos de explicar a crença religiosa em termos de sentimentos que conhecemos bem, que sentimentos seriam esses? Por exemplo, se entendêssemos a crença religiosa como gerada pelos mesmos mecanismos mentais, digamos, da amizade ou do amor, não seria essa uma perspectiva muito mais familiar, e muito mais inteligível, a partir da qual interpretar a questão?

Então, para começar a “entrar” no pensamento religioso a partir desse solo compartilhado, imaginemos a seguinte situação: um indivíduo xis está defendendo que deus existe porque, com ele, sua vida tem “sentido”.

Claro que, do ponto de vista formal, esse argumento não diz muita coisa. Porém, deixemos de lado a questão de o indivíduo estar certo ou não, e tentemos apenas entender o que ele está dizendo: sua alegação é que, com a crença em deus, sua vida se torna mais agradável.

Se pensarmos dessa maneira, ficará claro que o que justifica a crença religiosa, nesse nível afetivo, não é sua veracidade, mas o prazer que ela nos proporciona. Agora pensemos: esse tipo de prazer proporcionado pela crença religiosa pode ser equiparado a qualquer outro que sintamos em nosso dia a dia? Parece que sim.

Para ilustrar, imaginemos que estivéssemos nos sentindo sozinhos na vida, abandonados a nós mesmos numa existência solitária e sem sentido. Sentimo-nos vazios, atravessados pela sensação de irrealidade de nossos sonhos.

Agora suponha-se que, determinado dia, encontrássemos uma pessoa, ou um grupo de pessoas, com que compartilhar nossas vidas — pessoas que dessem atenção ao que fazemos, que nos motivassem, nos ajudassem a alcançar nossos objetivos, e assim por diante. Poderíamos dizer que, nessa situação, a convivência “deu sentido” às nossas vidas.

Muito bem, agora nos perguntemos: em que o “sentido” encontrado a partir de outro ser humano diferiria do sentido encontrado a partir da crença em deus? Ao que parece, em nada. Talvez pareça existir alguma diferença em nível conceitual — talvez se racionalizarmos que o “sentido divino” seria “mais perfeito” que o humano —, mas não parece haver qualquer diferença em como nos sentimos. O resultado prático, o bem-estar, é o mesmo.

Claro que a religião lida com toda uma série de sentimentos distintos. Porém, parecem ser todos sentimentos cotidianos, que experimentamos no dia a dia. Nesse caso particular, como deus nos afasta da “solidão” ou do “vazio”, note-se que ele estaria funcionando como uma espécie de amigo imaginário, e não fazemos tal afirmação simplesmente como um “insulto”, mas como uma descrição bastante exata do que parece estar ocorrendo, isto é, do papel que a crença nessa entidade estaria executando em nossas vidas em termos de satisfação pessoal.

Deus, nessa ótica, seria uma espécie de “amigo de segurança”, protegendo-nos da sensação de que nossas vidas poderiam a qualquer momento despencar no vazio. Naturalmente, esse é um papel que poderia, a princípio, ser executado por qualquer pessoa. Porém, quando não temos ninguém ao nosso lado, o que nos resta é deus. Assim, nessa lógica, indivíduos acreditariam em deus pelo mesmo motivo que têm amigos — porque vivem melhor assim.

4. Racionalizando o desconhecido

Antes de encerrar a discussão, resta analisarmos um último ponto: a independência entre o que pensamos e o que sentimos. Para exemplificar essa ideia, consideremos que, aos olhos do indivíduo religioso, o prazer decorrente da “amizade divina” será em geral entendido como uma “prova” da existência de deus. Porém, eis o detalhe interessante: se refutássemos essa sua explicação — e todas as demais que pudesse oferecer —, ele deixaria de crer em deus? Dificilmente, pois continuaria sentindo que deus existe — sendo essa a verdadeira base de sua crença. Então, mesmo que o indivíduo tenha agora encontrado uma “razão” para crer em deus, não foi essa razão que, originalmente, o levou a crer.

Por isso refutá-la também não o levará a descrer. Para que parasse de crer, precisaríamos fazer com que o indivíduo parasse de sentir que deus existe — e parece difícil imaginar como isso poderia ser feito.

Perceba-se que, no exemplo acima, as “explicações” do indivíduo religioso seriam apenas uma tentativa, mais ou menos desesperada, de justificar aquilo que sente, sendo óbvio que a motivação por detrás de seu comportamento não é entender o mundo, mas proteger seu objeto de afeto — a agradável sensação de “sentir-se acompanhado” que deus lhe proporciona. Então, como suas “explicações” são simplesmente um meio, resulta que não faz realmente diferença se o indivíduo acredita que seu bem-estar decorre de um “milagre divino”, de uma “iluminação espiritual”, ou de qualquer outra fantasia do gênero. Sua explicação é tão somente um palavrório vazio para uma realidade que ele ignora sobre si mesmo.

As explicações racionais que damos para nossos sentimentos seriam, nessa ótica, simplesmente um véu de linguagem lançado sobre uma base irracional, sobre a qual não temos controle, e que em geral não entendemos — indicando por que temos a tendência de “explicar” tais sentimentos de maneira simbólica, por meio de racionalizações, em vez de explicá-los literalmente, por meio de descrições.
Nesse esquema, como já deve ter ficado claro, o conceito de deus seria apenas um simbolismo para algo que o indivíduo sente. Ao falar da existência de deus, o sujeito pensa estar falando de um ente exterior, mas, sem perceber, está descrevendo sua própria vida interior — a despeito de a alegoria usada para “dar forma” a esse sentimento ter acidentalmente tomado a forma de uma explicação para o mundo.

Dentro disso, um detalhe interessante é que, apesar de não entendermos realmente a natureza e a significância da crença em deus, nós agimos como se entendêssemos. Nós em geral também não entendemos por que queremos ter amigos — mas mesmo assim queremos tê-los. Nessa situação, se nos perguntarem o porquê disso, as chances são que inventaremos uma explicação qualquer para justificar aquilo que sentimos — sendo óbvio que, se alguém refutasse tais razões, nós nem por isso deixaríamos de ter amigos. Similarmente, no caso da crença religiosa, sabemos no que acreditar, mas não sabemos o porquê disso. Nessa situação, nós inventamos uma explicação que supostamente justificaria nossos sentimentos, e passamos a gostar dessa explicação, não porque ela faz sentido, não porque ela é verdadeira, mas porque ela reflete aquilo de sentimos. Porém, o tempo todo, ao proceder dessa maneira, confabulando explicações racionais para nossa vida interior, parece que estamos apenas tentando dar forma, através da linguagem, ao mundo que existe dentro de nós mesmos — não tentando entender o mundo que nos cerca.

A lição a ser tirada disso tudo parece ser que, em grande parte, nós não entendemos nossas próprias vidas. Daí ser possível esse tipo de equívoco tão básico sobre nós mesmos, e sobre a natureza da realidade.

5. Conclusão


Mesmo que só em linhas gerais, a exposição acima já nos dá alguma direção para começarmos a “decodificar” a religião em termos naturais. Apesar de o conteúdo conceitual da crença religiosa ser facilmente refutável, vimos que não parece ser essa a sua essência. Parece haver algo essencialmente humano no que faz a religião funcionar, e esse algo não parece depender das explicações particulares em que se acredita. Dito de outro modo, apesar de tomar frequentemente essa roupagem, a religião não seria uma explicação para o mundo, mas uma explicação de nós mesmos. Então, se quisermos entender por que a religião é falsa, bastará olharmos o mundo ao nosso redor. Porém, se quisermos entender por que é verdadeira, teremos de olhar para dentro de nós mesmos.

Autor: André Cancian
Fonte: (ateus net)

Enéias Teles Borges - Editor do Blogue

domingo, 5 de junho de 2011

Religião faz o cérebro encolher

O CIÊNCIA MALUCA adora uma boa banalidade – e não vê problema algum nisso. Mas o papo hoje é um pouquinho mais sério.

Tem um milhão de estudos por aí que apontam uma série de benefícios da religião para o cérebro. Mas, na ciência (ainda mais quando a gente inclui o “maluca” no meio), pouca coisa é unanimidade. Pesquisadores da Universidade de Duke, nos EUA, observaram os cérebros de 268 homens e mulheres com mais de 58 anos e notaram que o hipocampo – região envolvida, principalmente, na formação de memórias – era significativamente menor naqueles que se identificavam com grupos religiosos específicos ou que tinham passado por experiências religiosas de mudança de vida – aquela coisa de estar quase morrendo e “nascer” de novo, por exemplo.

Por quê? 

Hum, ninguém tem certeza ainda. Mas a principal hipótese do estudo é que certos aspectos da religião causem, em algumas pessoas, um estado constante de estresse.

Um indivíduo que faz parte de uma minoria religiosa e sofre preconceito por isso vive num estado de nervos mais delicado. Também pode acontecer com o sujeito que vive com o medo de ser punido por Deus por isso ou aquilo, ou então com o que tem ideias conflitantes com certos dogmas da religião. Ao longo do tempo, a liberação constante dos hormônios do estresse diminuiria o volume do hipocampo.

Tenso, né?


Nota: Quero vera agora. Será que os partidários da Fé Cega, Faca Amolada (FCFA) dirão alguma coisa?

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Deus capacita os escolhidos?

A frase é bonita e causa impacto: "Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos". Já a ouvi inúmeras vezes e em todas eu me perguntei: faz sentido? Acredito que não. É óbvio que para um agnóstico teísta (meu caso) o resultado de qualquer conclusão será irrelevante. Quero me postar, agora, como um membro fiel de uma entidade difusora de cultura religiosa. Nessa postura é que afirmo: a frase em testilha não faz sentido. Fica a impressão que a escolha divina é dirigida exclusivamente aos incapacitados. Quer dizer então que existem pessoas capacitadas e que por essa razão jamais serão escolhidas? O que é capacitação? Para pregar, para dar bom exemplo, para ser eticamente correto? A frase foi feita para causar impacto, nada mais que isso. Ela é inteiramente despida de coerência.

Uma análise sincera da frase acima leva uma pessoa justa pensar mais ou menos da seguinte maneira: a frase correta deveria ser: "Deus escolhe capacitados e incapacitados, aperfeiçoa os capacitados, capacita e aperfeiçoa os incapacitados"...

Esquecendo que o ora digitador é agnóstico, não faz mais sentido a frase "adaptada"?

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pesquisa comprova que fé em Deus é inerente ao ser humano

Uma pesquisa conduzida por dois acadêmicos da Universidade de Oxford, Inglaterra, intitulada “Projeto de Cognição, Religião e Teologia” teve o custo recorde de 1,9 milhão de libras esterlinas. Sua conclusão final é que o pensamento humano está “enraizado” em conceitos religiosos. 

O projeto envolveu ao todo 57 eruditos, oriundos de 20 países, que lecionam disciplinas como Antropologia, Psicologia e Filosofia. A investigação se propunha a descobrir se a crença em divindades e na vida depois da morte são conceitos aprendidos ao longo da vida ou são inerentes ao ser humano.

Segundo o professor Roger Trigg, um dos diretores do projeto, nossa tendência natural é “ver um propósito neste mundo… nós procuramos um sentido. Pensamos que existe algo mais, mesmo que não consigamos vê-lo… Tudo isso tende a gerar em nós uma forma religiosa de pensar”. Para ele, a pesquisa mostrou que religião “não é apenas algo que algumas poucas pessoas fazem no domingo em vez de ir jogar golfe… Reunimos várias evidências que sugerem que a religião é um aspecto comum da natureza humana, presente em diferentes sociedades. Isto sugere que as tentativas de suprimir a religião tendem a ter vida curta, uma vez que o pensamento humano parece estar enraizado em conceitos religiosos, como a existência de deuses ou agentes sobrenaturais, a possibilidade de vida após a morte, e de algo anterior a essa”.

O doutor Trigg destaca ainda que, curiosamente, as pessoas que vivem nas cidades de países mais desenvolvidos, são menos propensas a serem religiosas do que as que vivem no campo ou em áreas economicamente menos desenvolvidas.

Realizado em Oxford, um dos estudos conduzidos pela equipe concluiu que crianças com menos de cinco anos de idade são mais propensas a crer em situações “sobrenaturais”, do que a entender as limitações dos seres humanos. Nesse experimento, perguntava-se às crianças se as mães delas sabiam que objeto estava guardado em uma caixa fechada. Crianças de três anos de idade acreditavam que suas mães e Deus sempre sabiam qual era o conteúdo, mas a partir dos quatro as crianças começavam a entender que suas mães não eram oniscientes.

Outro estudo feito na China mostrou que pessoas de diferentes culturas creem instintivamente que alguma parte de sua mente, alma ou espírito sobrevive de alguma forma após a morte.
O diretor do projeto, Dr. Justin Barret, do Centro de Antropologia e Mente da Universidade de Oxford, afirma que a fé é um fenômeno que subsiste nas diversas culturas do mundo porque as pessoas que compartilham os laços da religião “são mais propensas a cooperar com a sociedade”.

Ele faz questão de enfatizar que “o projeto não se dispôs a provar que Deus ou deuses existem”. O doutor Trigg entende ainda que “tanto ateus quanto as pessoas religiosas podem utilizar o estudo para defender seu ponto de vista”. “Richard Dawkins aceitaria nossas conclusões e diria que temos de evoluir para sair disso. Mas as pessoas de fé podem argumentar que a universalidade do sentimento religioso serve ao propósito de Deus. Se existe um Deus, então ele teria nos dado inclinações para procurá-lo”, conclui.

Os eruditos de Oxford acreditam fortemente que a religião não vai se enfraquecer,  como muitos especulam.


Nota: É claro que a cultura religiosa, religiosidade e similares não se enfraquecerão. Alguma dúvida? O que se questiona de fato é: como ficarão esses conglomerados que pensam que somente eles possuem a verdade? O ser humano sempre acreditará em algo sobrenatural. É a fé em qualquer tipo de deus...

Enéias Teles Borges

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sobre a Inquisição...

Conhecido também como Santo Ofício, a Inquisição era um instituição dos tribunais da Igreja Católica que julgavam e puniam pessoas acusadas de se desviar do caminho de Deus. 

Tiveram 2 versões, a da Idade Média nos séculos XIII e XIV, e a Inquisição Moderna em Portugal e na Espanha que durou do século XV até o século XIX! Começou em 1231 quando o Papa Gregório IX criou um orgão para investigar suspeitos de heresia, pois ele estava preocupado com o crescimento das seitas religiosas. Qualquer pessoa que professasse práticas diferentes das reconhecidas como "cristãs" era considerada herege. Atuando na Itália, França, Alemanha e Portugal, a Inquisição Medieval tinha penas mais leves, sendo a mais comum a excomunhão.( Tortura passou a ser autorizada pelo Papa a partir de 1252 para arrancar confissões).

A segunda "era" da Inquisição veio com toda força começando na Espanha em 1478. Os alvos eram principalmente Judeus e Cristãos-novos(Recem convertidos acusados de continuarem praticando o Judaísmo). Com apoio dos reis o Santo Ofício ganhou força e passou a considerar heresia qualquer ofensa "a fé e aos costumes católicos". Quem usasse toalhas limpas no começo do sábado ou não comesse carne de porco era acusado de Judaísmo. Depois a lista de perseguidos foi ampliada para incluir protestantes, iluministas, homossexuais e bígamos.

As punições passaram a ser mais pesadas como a famosa "Morte na Fogueira", tinha também prisão perpétua e confisco de bens. A crueldade dos inquisidores cresceu tanto que o próprio Papa pediu aos espanhóis que diminuíssem o banho de sangue.

Como acontecia a Inquisição

O Julgamento: 

Os monges do Santo Ofício chegavam a aldeia e reunia toda população na igreja. No período de Graça(que durava 1 mês) convidavam os pecadores a admitirem seus pecados. Quem se confessava não recebia penas severas. Quem não aproveitasse essa chance podia ser denunciado. O pânico nessa época era grande porque a inquisição incentivava e premiava a delação. Quando alguém era acusado ele era interrogado e dificilmente conseguia se salvar. Não tinha direito a um advogado, e muitas vezes era colocado atrás dele um espião que faziam torturas para conseguir as confissões.

As Torturas: 

Variavam de acordo com a heresia. As mais leves deixavam os acusados acorrentados sem comer nem dormir por vários dias. Mas existiam outros bem piores como "O Potro e a "Extensão", normalmente o carrasco fazia uma demosntração de como funcionava essas técnicas para ver se o acusado se confessava antes de receber a tortura na prática.

O Potro:

O acusado era preso com um anel de ferro no pescoço e nos braços em uma cama, e 8 cordas eram passadas pelo seu corpo. Ao sinal do inquisitor o carrasco puxava as cordas que chegavam a entrar na carne do acusado fazendo jorrar sangue, até que ele confessasse ou perdesse a consciência. 

A Extensão:

Cordas puxadas por um torniquete faziam os punhos se aproximarem um do outro por trás. As mãos do condenado se tocavam, isso fazia os ombros se deslocarem. Essas torturas foram descritas pelo Jean Coustos, Mestre de uma loja maçônica que acabou confessando seus "pecados" e foi condenado a trabalhos forçados. 

As Sentenças: 

A sentença era divulgada em público normalmente com o rei presente. As penas iam da excomunhão até a morte na fogueira. Se o condenado se confessasse até o pé da fogueira, e se sua conversão a fé católica fosse considerava verdadeira ele podia trocar a morte pela prisão perpétua. Caso contrário era queimado vivo na fogueira. Se eles descobrissem defuntos que haviam sido hereges, o cadáver era desenterrado e queimado também.
 
Frei dominicano Tomás de Torquemada (Hitler da Inquisição)

Nos registros históricos ele foi o inquisitor geral da Espanha. Autorizou a tortura para obter confissões, ampliou a lista de heresias e pressionou o rei a trocar tolerância religiosa pela perseguição aos Judeus e aos hereges. Responsável por mais de 170 mil judeus expulsos da Espanha e 2 mil mortes na fogueira. 

Gatos Pretos

Você tem MEDO de Gato Preto ? Ele também é vítima da Inquisição.

Na idade Média como os gatos tinham hábitos noturnos, por isso passaram a acreditar que ele tinha pacto com o demônio. Se fosse preto então ele era das trevas. O Papa Inocêncio VIII incluiu o Gato Preto na lista de perseguidos pela Inquisição. Em 1560 um gato preto ferido a pedradas conseguiu se esconder na casa de uma velhinha que dava abrigo aos gatos. No dia seguinte a velhinha apareceu com machucados, assim o povo concluiu que ela era uma Bruxa e se transformava em gato a noite... Não preciso contar o que aconteceu com ela não é? O gato também era incluído no paganismo, já que era reverenciado como divindade principalmente entre povos antigos como os Egípcios.

É dai que vem as lendas e o MEDO do Gato Preto...

A caça aos gatos só terminou em 1630 quando o rei Luís XIII proibiu a perseguição aos bichos.

Fonte: (MEDO B)

Editor do Blogue: Enéias Teles Borges